A burocracia, mais uma vez, está dificultando o repasse de recursos às
vítimas da seca. Os agricultores deveriam receber a parcela extra
estadual do Garantia Safra ainda neste mês, através do cartão cidadão do
programa. Mas, segundo o secretário de Desenvolvimento Agrário, Nelson
Martins - que fica no cargo até esta quarta-feira (6) - a Caixa
Econômica Federal informou que não tem como aceitar nem distribuir o
depósito do Estado, porque o cartão é específico de um programa do
governo federal e só recebe verbas advindas diretamente da União.
Ainda
assim, o secretário garantiu que os primeiros R$ 136 do auxílio
(totalizado em R$ 716) serão repassados às famílias cadastradas ainda em
junho. "Temos que pagar em junho de qualquer forma. Nem que seja no
último dia do mês", promete.
O secretário informou que a solução
encontrada pelo governo estadual será fazer com que os beneficados
recebam a verba diretamente de agências da Caixa, através do repasse de
uma lista com o nome de todos os destinatários. Caso a instituição não
possa viabilizar essa saída, o próximo passo será recorrer ao Banco do
Brasil.
> Cid Gomes assina decreto de emergência em 168 municípios
Enquanto
as transações financeiras e políticas não são resolvidas, os
agricultores cearenses continuam a sofrer com o que seria, segundo
Nelson Martins, uma das piores estiagens dos últimos 50 anos. Apenas
três municípios não tiveram perda de safra igual ou superior a 50%.
Parcela extra
O
compromisso de pagar uma parcela a mais foi assinalado pelo governador
Cid Gomes no dia 28 de maio, em reunião com os prefeitos dos municípios
cearenses. Os custos da iniciativa somam R$ 32 milhões, conforme o
secretário Nelson Martins.
A promessa foi feita na tentativa de
minimizar a agonia de quem precisa do auxílio, visto que o primeiro
pagamento do Garantia Safra não chegaria aos bolsos dos agricultores
até, no mínimo, o final de julho.
Alternativas
Para
quem não vai receber o benefício, Nelson Martins lembra que o Estado
vai receber a verba do programa Brasil Carinhoso. Segundo ele, um estudo
preliminar do Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará
(Ipece), indicou que o benefício deve reduzir em 48% o número de família
abaixo da linha da pobreza no Estado. O secretário acredita que a verba
deve aliviar a situação das vítimas da seca.
De acordo com o
Nelson, obras de infraestrutura fazem parte dos planos do governo. A
construção de 36 mil cisternas será licitada, além de mais das 7200 mil
cisternas com quintal produtivo, onde as famílias poderão plantar
hortaliças para consumo próprio.
Ele também fez menção ao
projeto São José 3, ao qual serão destinados R$ 300 milhões, e a
implantação de 1500 mil sistemas de abastecimento de água.
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