quarta-feira, 6 de junho de 2012

Burocracia pode atrasar pagamento de parcela extra do Garantia Safra


A burocracia, mais uma vez, está dificultando o repasse de recursos às vítimas da seca. Os agricultores deveriam receber a parcela extra estadual do Garantia Safra ainda neste mês, através do cartão cidadão do programa. Mas, segundo o secretário de Desenvolvimento Agrário, Nelson Martins - que fica no cargo até esta quarta-feira (6) - a Caixa Econômica Federal informou que não tem como aceitar nem distribuir o depósito do Estado, porque o cartão é específico de um programa do governo federal e só recebe verbas advindas diretamente da União.

Ainda assim, o secretário garantiu que os primeiros R$ 136 do auxílio (totalizado em R$ 716) serão repassados às famílias cadastradas ainda em junho. "Temos que pagar em junho de qualquer forma. Nem que seja no último dia do mês", promete.

O secretário informou que a solução encontrada pelo governo estadual será fazer com que os beneficados recebam a verba diretamente de agências da Caixa, através do repasse de uma lista com o nome de todos os destinatários. Caso a instituição não possa viabilizar essa saída, o próximo passo será recorrer ao Banco do Brasil.

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Enquanto as transações financeiras e políticas não são resolvidas, os agricultores cearenses continuam a sofrer com o que seria, segundo Nelson Martins, uma das piores estiagens dos últimos 50 anos. Apenas três municípios não tiveram perda de safra igual ou superior a 50%.

Parcela extra
O compromisso de pagar uma parcela a mais foi assinalado pelo governador Cid Gomes no dia 28 de maio, em reunião com os prefeitos dos municípios cearenses. Os custos da iniciativa somam R$ 32 milhões, conforme o secretário Nelson Martins.

A promessa foi feita na tentativa de minimizar a agonia de quem precisa do auxílio, visto que o primeiro pagamento do Garantia Safra não chegaria aos bolsos dos agricultores até, no mínimo, o final de julho.

Alternativas
Para quem não vai receber o benefício, Nelson Martins lembra que o Estado vai receber a verba do programa Brasil Carinhoso. Segundo ele, um estudo preliminar do Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (Ipece), indicou que o benefício deve reduzir em 48% o número de família abaixo da linha da pobreza no Estado. O secretário acredita que a verba deve aliviar a situação das vítimas da seca.

De acordo com o Nelson, obras de infraestrutura fazem parte dos planos do governo. A construção de 36 mil cisternas será licitada, além de mais das 7200 mil cisternas com quintal produtivo, onde as famílias poderão plantar hortaliças para consumo próprio.

Ele também fez menção ao projeto São José 3, ao qual serão destinados R$ 300 milhões, e a implantação de 1500 mil sistemas de abastecimento de água.

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