Atualmente, 93 cidades estão sendo atendidas pela Operação Carro Pipa. População teme a escassez de águaCrateús
Dos 184 Municípios do Estado, 171 estão em situação grave, de
emergência devido à estiagem. A informação é da Defesa Civil do Estado,
que assegura, atualmente, a 93 Municípios a Operação Pipa, que funciona
normalmente no Estado. Na próxima semana, mais 60 cidades passarão a ser
atendidas pela Operação, de forma gradativa, priorizando as cidades com
maior carência de água, segundo o órgão.
População do sertão sofre com a falta de água. Operação Pipa ameniza o problema FOTO: CID BARBOSAApenas
18 não solicitaram a implantação da Operação Pipa. Assim, 93% do
território cearense está sofrendo os efeitos da maior seca dos últimos
30 anos. Falta água para o consumo humano e animal. E as perspectivas
são as piores possíveis, já que os reservatórios também estão abaixo da
capacidade e há, ainda, vários meses para a chegada do inverno.
Outra
novidade, de acordo com o coronel Hélcio Queirós, coordenador da Defesa
Civil do Estado, é a implantação de serviço de rastreamento nos
veículos. "Todos os veículos terão GPS instalado a fim de termos o
controle sobre o transporte, deslocamento e qualidade da água", afirma.
Em
Crateús, a operação carro-pipa continua sendo a forma de obtenção de
água para muitas comunidades no Interior. São 180 localidades
abastecidas pelos 15 pipeiros com 1.312 carradas/mês. Conforme a Defesa
Civil local, a tendência é que a situação se agrave, considerando que os
cacimbões e poços na zona rural estão secando.
Em algumas
regiões, não há mais água de forma alguma, e a população pede socorro ao
órgão. A água que recebem da Operação deve ser utilizada apenas para
beber e cozinhar, mas, segundo ele, há locais em que as pessoas se
obrigam a utilizar para outros fins, devido à escassez.
"Diariamente,
chegam pessoas aqui lamentando a falta total de água. Não sabemos como
faremos até o fim do ano, porque a situação é grave. A água fornecida
pela operação acaba sendo desviada para outras atividades, que não beber
e cozinhar, devido à necessidade", explica o coordenador da Defesa
Civil, Teobaldo Marques.
Em todas as regiões, a escassez é
verificada, mas, no chamado sertão, especificamente no Distrito de Santo
Antônio e em algumas localidades do Distrito de Realejo, a ausência de
água é maior, conforme o órgão.
Outro problema apontado pela
Defesa Civil diz respeito à falta de reservatórios para armazenar a
água. "Muitas localidades não estão sendo atendidas pela Operação Pipa
porque as pessoas não têm como armazenar a água. Não possuem cisternas,
nem caixas de água e, então, acabam ficando sem água", relata.
Até
algumas escolas do Município sofrem com a falta de água e a Defesa
Civil, segundo o coordenador, está com um veículo destinado para atender
as escolas. Semanalmente, os colégios situados em regiões mais secas se
socorrem do órgão para serem abastecidas.
ReservatóriosEstá
ocorrendo escassez de água em todo o Estado. Segundo a Companhia de
Gerenciamento de Recursos Hídricos do Estado (Cogerh), é devido à
situação do baixo nível nos reservatórios supervisionados pelo Governo
do Estado. "Dos 139 reservatórios monitorados pela Companhia, apenas
dois apresentam volume acima de 90%, são eles: Gavião (94%), no
Município de Pacatuba, e Muquém (92%), em Cariús", diz o órgão em nota.
Crateús
é apontado como a região com a situação mais grave, com menos de 50% de
acúmulo de água na bacia hidrográfica, com apenas 29% da sua capacidade
total. O Açude Carnaubal, que abastece a cidade, está com 23,4% da sua
capacidade, número que preocupa o órgão. Outras duas bacias apresentam
volume abaixo de 50%: do Baixo Jaguaribe (41%) e do Curu (35,7%).
Para
a Cagece, a situação é crítica no Município. A inexistência de inverno,
neste ano e a evaporação muito forte na região, são fatores
determinantes na situação de escassez de água.
"O nível do
reservatório nos preocupa muito porque temos meses pela frente, e a
evaporação é muito alta aqui na região. Acredito que teremos água até
fevereiro, mas a população tem que colaborar economizando o líquido em
suas atividades, pois a situação é grave", ressalta o gerente da Unidade
de Negócios da Cagece da região dos Sertões de Crateús, Hamilton
Claudino Sales. Mesmo com a grave estiagem, o órgão assegura que a
segurança hídrica está garantida.
"Apesar do grave período de
estiagem que atinge o Estado do Ceará, considerado pelos meteorologistas
como um dos mais graves dos últimos 50 anos, atualmente, o volume
acumulado nos reservatórios cearenses é de dez bilhões de metros cúbicos
de água, o que representa 60% da capacidade total do Estado", diz em
nota.
EconomiaTécnicos da Gerência de
Interação Social e Educação Ambiental (Geins) estão em Crateús levando
informações contra o desperdício de água, lembrando o período de pouca
chuva em 2012 e a necessidade de economizar água.
Mais Informações:Defesa Civil do Ceará
Rua Oto de Alencar, 215 Centro
(85) 3101.4571 / Defesa Civil de Crateús, (88) 3691.2127
Cogerh: (85)3218.702
Moradores denunciam água imprópriaQuiterianópolis
A população deste Município enfrenta situação complicada com relação à
água. Sem inverno, a escassez é o maior problema. As chuvas deste ano
foram poucas e não abasteceu o Açude Colina, reservatório que abastece a
cidade. A consequência é a falta de água, ocasionando a distribuição de
uma água turva, impura, fétida e imprópria para consumo. O Diário do
Nordeste já trouxe à tona o problema desde 2011.
Açude
Colina, em Quiterianópolis, está com a água comprometida. A população
conta que o líquido chega às torneiras com péssima qualidade FOTO: KID
JÚNIORDesde maio deste ano, a realidade é essa na cidade: a
água que chega às torneiras das residências é de péssima qualidade. A
maioria das pessoas utiliza a água encanada apenas para lavar roupas e
outros afazeres, que não sejam beber e cozinhar os alimentos. Alguns -
que possuem uma condição financeira mais elevada - compram água mineral
para beber, outros compram água que vem do Município de Poranga e os
demais -sem alternativa - utilizam a água distribuída pela Cagece.
Enquanto
a solução não chega, as pessoas que não têm cisterna, nem podem
adquirir diariamente água mineral e não tem coragem para utilizar a água
tratada pela Cagece, se socorrem em poços profundos e cisternas. Filas
de pessoas com barris, baldes e tambores se acumulam nos poços profundos
na cidade e até na zona rural. Poços na zona rural são alternativas
utilizadas por populares, onde pegam água várias vezes ao dia.
"Passado
o período do inverno já era previsível que não teria água. Desde maio, a
situação é complicada para a população e estranho não ter ocorrido um
fato, ao longo desses meses, para solucionar essa realidade", lamenta o
administrador de empresas, Wilson Cláudio, que esteve na cidade
recentemente e se indignou com a situação da água distribuída pela
Cagece.
Cláudio conta que tem familiares em Quiterianópolis e
eles lamentavam a situação precária da água, mas ele não imaginava que
fosse tão calamitosa. Quando esteve lá, foi lavar o rosto e se espantou
com a cor e o mau cheiro da água ao abrir a torneira. Viu que o caso é
grave. Colheu uma amostra do líquido. Diz que, caso a situação não seja
resolvida em um mês, vai fazer exame para verificar a qualidade da água
em laboratório.
Sem solução
"Estranha-me o
fato da Cagece se propor a distribuir uma água nessas condições e
também a falta de solução por parte das autoridades. Não digo que nada
esteja sendo feito, mas não vejo mudança na realidade", ressalta.
"O
problema é que não temos água. A água se exauriu. Estamos tratando a
água, mas não recomendamos para consumo (beber, cozinhar). As cobranças
estão sendo feitas com base no consumo real, de maneira diferenciada",
revela o gerente de Unidade de Negócios da Cagece da Região dos Sertões
de Crateús, engenheiro civil Hamilton Claudino Sales. O Açude Colina, de
acordo com ele, está com apenas 13% da sua capacidade, que é de três
milhões e 250 mil m³.
"A única opção viável no momento é buscar
água nos carros-pipas em Novo Oriente, no Açude Flor do Campo, a 48
quilômetros de distância. Isso estamos fazendo, mas nos preocupa porque a
escassez de água é geral na região", explica Hamilton.
Ele
esclarece que os mananciais de superfície perdem muita água por
evaporação, e ainda existem problemas causados pela poluição. "A
evaporação ocasionada pela falta de chuva causa a escassez da água muito
mais do que o consumo propriamente dito. Juntando isso aos esgotos que
são jogados no reservatório, então, a situação se agrava ainda mais",
finaliza.
Mais Informações:Cagece Crateús
Endereço: Rua Antônio Francisco de Macedo, 170
Bairro: Ipaze
Telefone: (88) 3691.7882