O aumento está ligado às perdas das culturas, ocasionadas pela pior seca dos últimos 30 anos no Estado do Ceará
Nos
armazéns de Quixadá, que abastecem também outras cidades do Sertão
Central, o valor dos produtos deve ficar ainda mais caros FOTO: ALEX
PIMENTEL
Quixadá Os preços do arroz, do
milho e da farinha, alimentos comuns na mesa sertaneja, estão começando a
disparar no Sertão Central do Estado. Nos armazéns de Quixadá,
responsáveis também pelo abastecimento das cidades vizinhas, devem subir
em média 40% até o fim do mês. São os efeitos da pior seca registrada
nos últimos 30 anos no nosso Estado. Afetou todo o semiárido, provocando
a perda das safras dos cereais mais consumidos pelos nordestinos.
Segundo
o comerciante Gilberto Falcão, com mais de três décadas dedicadas ao
ramo, o impacto só não é maior porque os atacadistas estão controlando a
alta dos preços. O fardo de arroz está sendo vendido na cidade a R$
57,00. Até o fim do mês, a saca de 40 quilos deverá estar ultrapassando
R$ 60,00.
Antes da seca, não passava dos R$ 47,00. A maior parte
do arroz comercializado na região vem do Rio Grande do Sul, mas é
produzido na Argentina, e chega ao Ceará de navio. No caso da farinha, a
saca de 50 quilos custava no máximo R$ 60,00, mas deve chegar a R$
90,00 até o fim de setembro. A produção do Estado está acabando, o jeito
vai ser apanhar em Pernambuco.
Milho
Ainda conforme o
comerciante, o problema mais grave é com relação ao milho. O produto
subsidiado pelo Governo Federal ainda não chegou aos armazéns. Quem tem
urgência na compra é obrigado a recorre aos atravessadores, sem a
certeza da origem.
Enquanto na tabela da Conab está registrada a
R$ 32,00, a saca está custando em média R$ 50,00. O efeito também atinge
o preço do quilo de frango abatido. Nas últimas semanas, pulou de R$
3,00 para R$ 5,00. Mas, segundo Falcão, o consumidor sentirá as altas
gradativamente.
Apenas o feijão de corda continua com o preço
estável, na casa dos R$ 3,00 e R$ 4,00 o quilo. Como o ciclo de produção
é curto, cerca de dois meses, e está sendo cultivado através de
irrigação, na Chapada do Apodi, não deve subir. No período da quadra
invernosa estava custando de R$ 6,00 a R$ 7,00. Considerando que o grão é
o principal alimento do cearense, passou a ser produzido em maior
escala quando a estiagem se consolidou e a procura aumentou.
A
gerente do Atacado São Geraldo, Neylivania Lemos, concorda com Falcão.
Os preços nas prateleiras sobem, mas aos poucos. Afinal, a maior
clientela são os agricultores, que perderam toda a safra com a seca.
Como não tem produção para vender, ficam sem dinheiro para comprar.
Mesmo
assim, uma alternativa é comprar o quilo do arroz no atacado. O
intermediário custa R$ 1,78, caso o consumidor leve mais de 10 quilos.
Optando por menos, o preço é de R$ 1,89. A alternativa encontrada foi a
compra de containers fechados. Mesmo assim, as vendas caíram mais de 30%
em agosto.
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