Senador José Sarney (PMDB-AP) durante sessão especial em
comemoração aos 70 anos de criação do território federal do Amapá -
(21/05/2014)
(Jane de Araújo/Ag. Senado)
O senador José Sarney (PMDB-AP), de 84 anos, não será candidato à
reeleição. A informação foi divulgada nesta segunda-feira pela
assessoria do parlamentar no Amapá. No texto, o ex-presidente da
República cita razões pessoais para tomar a decisão. "Entendo que é
chegada a hora de parar um pouco com esse ritmo de vida pública que
consumiu quase 60 anos de minha vida e afastou-me muito do convívio
familiar", diz o parlamentar no texto.
Até poucos dias antes do anúncio, Sarney se movimentava para a disputa de mais um mandato no Senado neste ano. A própria ida da presidente Dilma Rousseff a Macapá, nesta segunda, foi interpretada como um afago ao senador perto do início do período eleitoral. No evento, Sarney acabou vaiado por parte do público presente.
Até poucos dias antes do anúncio, Sarney se movimentava para a disputa de mais um mandato no Senado neste ano. A própria ida da presidente Dilma Rousseff a Macapá, nesta segunda, foi interpretada como um afago ao senador perto do início do período eleitoral. No evento, Sarney acabou vaiado por parte do público presente.
Se tentasse se reeleger, José Sarney não teria um caminho
tranquilo. Desde que deixou a presidência do Senado, no começo do ano
passado, o ex-presidente da República havia perdido influência no
Congresso. Antes disso, com a derrota de seu grupo nas eleições de 2010,
também vira seu poder diminuir no Amapá. Enquanto isso, no Maranhão, o
ex-presidente teve dificuldades para indicar um substituto à atual
governadora, sua filha Roseana Sarney (PMDB).
José Sarney assumiu seu primeiro cargo eletivo em 1955, como deputado
federal. Ele teria mais dois mandatos na Câmara. Depois foi governador
do Maranhão e senador pelo Estado por três vezes consecutivas antes de
chegar à Presidência da República, no lugar de Tancredo Neves, em 1985.
Após o fim do mandato, ele voltou ao Senado: elegeu-se pelo Amapá nas
eleições de 1990, 1998 e 2006.
O parlamentar presidiu o Senado por quatro vezes. A última delas,
entre 2011 e 2013. A passagem de Sarney pelo cargo foi marcada pelo escândalo dos atos secretos,
quando a imprensa revelou a existência de nomeações e concessões de
benefícios irregulares, que nunca foram tornadas públicas pelos órgãos
oficiais do Senado.
Veja a nota divulgada pela assessoria de Sarney, que também faz menção às vaias no evento desta segunda-feira:
"O senador José Sarney (PMDB-AP) manifestou-se, agora há pouco, a respeito do episódio ocorrido nesta segunda-feira (23) em Macapá, por ocasião do evento do programa Minha Casa Minha Vida, do Governo Federal, em que foi hostilizado por militantes partidários de declarada oposição a ele.
"O senador José Sarney (PMDB-AP) manifestou-se, agora há pouco, a respeito do episódio ocorrido nesta segunda-feira (23) em Macapá, por ocasião do evento do programa Minha Casa Minha Vida, do Governo Federal, em que foi hostilizado por militantes partidários de declarada oposição a ele.
Era esperado que isso pudesse ocorrer, diz, primeiro pelo
acirramento do pleito eleitoral que se avizinha, segundo, pela própria
mobilização feita com esse propósito, fato este do conhecimento de
todos. Sarney diz ter sido convidado pessoalmente pela amiga e aliada
Dilma Rousseff, presidente do Brasil e entusiasta do programa de
habitação popular iniciado ainda na gestão de Luís Inácio Lula da Silva,
outro companheiro de sua estima. Sarney foi, mais uma vez, diplomático,
seguiu o protocolo que o evento exigia, para prestigiar a amiga Dilma e
os amapaenses beneficiados pelo programa.
Diz também ter recebido no evento – como ocorre por onde quer que
vá no país e fora dele – o carinho e a consideração de brasileiros que
reconhecem a importância de seu papel na condução do país à
redemocratização. “Lá mesmo, na festa da presidente Dilma, muitas
pessoas aplaudiram, espontaneamente, a minha presença e a ajuda que
tenho dado ao Brasil e ao Estado”, acrescenta o ex-presidente.
O senador, de 84 anos, também confirmou aquilo que seus amigos
mais próximos e os aliados em Macapá foram comunicados na semana
passada, de que não vai disputar a reeleição para o Senado em outubro
próximo. “Essa decisão já estava tomada, comuniquei isso ao meu partido
na semana passada. Entendo que é chegada a hora de parar um pouco com
esse ritmo de vida pública que consumiu quase 60 anos de minha vida e
afastou-me muito do convívio familiar”, declarou.
Sarney tem acompanhado de perto as idas e vindas da esposa, Dona
Marly, aos hospitais em repedidas cirurgias e lentos processos de
recuperação, em casa, como ocorre atualmente.
Ele confirma presença na Convenção do PMDB na próxima
sexta-feira, dia 27. E diz também que irá participar das eleições deste
ano, não como candidato, mas ajudando de todas as formas, ao inúmeros
amigos e aliados que estarão na disputa. Também será a ocasião para se
dirigir aos correligionários e simpatizantes, bem como aos cidadãos e
cidadãs de bem do Amapá, a quem nutre 'profunda gratidão'."
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